quem é ela
pov: isso não é um retrato falado
.ouvi muito essa pergunta quando era mais nova. já mencionei várias vezes que desenho desde sempre — o que incluía obviamente desenhar na sala de aula. e claro, isso chamava atenção das outras crianças.
todo mundo queria saber: afinal, quem é ela?
como comentei na edição anterior [quem ainda não leu, corre lá] eu criava minhas princesas heroínas, meninas bravas e estilosas, com suas calças boca de sino e sandália da Sandy [aqui denuncio minha idade]
mas sempre vinham me perguntar quem eram elas — e, pra choque de geral: não eram sob encomenda. perdão o sarcasmo, mas elas de fato não eram ninguém.
eram um combinado de coisas que eu gostava, admirava, queria ser — ou apenas vinham da minha cabeça.
agora eu, adulta, proponho uma outra pergunta pra quem se expressa artisticamente: pra quem você cria?
demorei anos pra criar só pra mim. pra entender o que eu realmente procurava e apreciava na arte — tanto na que eu via quanto na que eu fazia.
📌quando você admira um quadro ou um artista, o que exatamente te atrai?
📌você já deixou de gostar de algum artista pelas falas dele?
talvez isso diga muito sobre como você assimila a arte, como você a expressa — e o que espera que ela diga, até mesmo sobre o artista.
não tem resposta errada. ela só precisa ser honesta. no meu caso, entendi muito mais da minha expressão quando passei a ver a arte como um escape.
o mais doido de tudo isso? é que mesmo trabalhando como diretora de arte numa agência de publicidade, consigo exercer meu olhar crítico — mas comercialmente.afinal, não tamo vivendo de arte ainda.
e mesmo comercialmente, a gente sempre recebe um briefing com um direcionamento que inclui — isso mesmo — pra quem vamos criar. pq essa informação nunca pode faltar.
pra mim, criar é se expor também. é permitir que gostem, desgostem, comentem, elogiem e detonem.
tive muitas frustrações quando era mais nova e pediam pra eu fazer um retrato da pessoa: digamos que não foram obras beeem recebidas. mas ali eu já entendi que não era exatamente como eu gostaria que vissem o que eu criava: como um reflexo delas.
o reflexo era meu.
esses dias, minha amiga me pediu uma arte minha pra colocar na sala dela. o único detalhe: que tivesse mãos. segundo ela, ela curte as mãos que eu faço.
fiquei feliz demais com esse pedido, porque hoje quem me pede uma arte, pede uma expressão minha — meu traço, minha emoção todinha ali, naquele pedaço de papel.
oferecer isso pra alguém é dar o que eu tenho de mais precioso — e que, muitas vezes, não consigo colocar em palavras.
não quero dizer que me frustra criar pros outros…mas espero que, de alguma forma, valorizem esse pedaço de mim e a intenção que coloco em tudo. como é único e específico — assim como a relação que tenho com cada pessoa que inspira essas artes.
no final ela sou eu, é você, somos nós. e ainda assim, não é o reflexo de ninguém.
não teve imagem hoje pessoal, perdão, mas quem quiser ver as artes que eu ando fazendo eu posto sempre no IG > @bellachiarotti

